Exclusivo: Kenzie quer substituir universidade no Brasil com cursos técnicos

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Oferta inicial é um programa de 1 ano em engenharia de software, que custará R$ 32 mil© Divulgação Oferta inicial é um programa de 1 ano em engenharia de software, que custará R$ 32 mil

A edtech norte-americana Kenzie Academy avança para iniciar 2020 com programas de treinamento em tecnologia no Brasil com financiamento baseado em compartilhamento de renda.

A startup se posiciona como alternativa ao ensino superior, com programas presenciais e online. O lançamento da operação local, divulgado com exclusividade para a Forbes, acontece em janeiro, com um campus físico em Curitiba. Liderada no Brasil por Daniel Soifer Kriger, ex-Positivo, a Kenzie deve expandir para São Paulo e outras cidades e pretende treinar 700 pessoas em 2020.

Segundo o fundador e CEO da startup, Chok Ooi, o Brasil foi escolhido pela startup como ponto inicial da expansão internacional por conta do “grande contingente de talento inexplorado” no país e da demanda de empresas de tecnologia, que não encontram o pessoal qualificado que precisam.

“Acreditamos que o talento está distribuído uniformemente, mas o mesmo não ocorre em relação à oportunidades de acesso a treinamento de qualidade”, aponta.

A oferta inicial é um programa de 1 ano em engenharia de software, que custará R$ 32 mil. O modelo que a empresa busca emplacar no país é conhecido nos Estados Unidos como income share agreement (ISA), um empréstimo contingente à renda onde estudantes não pagam nada de imediato, mas comprometem 17% de seus futuros salários por 60 meses, ou um valor máximo de R$ 48 mil quando receberem R$ 3 mil ou mais por mês.

Como o conceito de ISA é novo no país, Ooi prevê um esforço para educar o mercado brasileiro, mas é otimista quanto à atratividade do modelo. “Esperamos que as pessoas percebam os benefícios do ISA quando comparado ao financiamento estudantil tradicional, já que o valor é pago só quando [alunos] começam a ganhar R$ 3.000 ou mais por mês”, aponta.

Segundo o fundador e CEO da startup, Chok Ooi, o Brasil foi escolhido por conta do “grande contingente de talento inexplorado” no país© Divulgação Segundo o fundador e CEO da startup, Chok Ooi, o Brasil foi escolhido por conta do “grande contingente de talento inexplorado” no país

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Desde sua fundação, em 2017, a empresa com sede em Indianapolis, no Estado norte-americano de Indiana, diz ter treinado 500 pessoas de todo o país. A empresa aposta no ensino à distância (a previsão é que mais de 60% dos alunos no Brasil serão treinados online) para capacitar pessoas mais rapidamente para empregos na área de tecnologia, oferecendo “uma saída de indústrias em declínio e baixos salários”.

A edtech diz acreditar que sua proposta vai ajudar a solucionar a escassez de profissionais de tecnologia no Brasil. A Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia (Brasscom) estima um déficit de 150.000 pessoas para preencher vagas no setor nos próximos quatro anos – de forma mais eficiente que o ensino superior.

“Muitos estudantes não-tradicionais no Brasil não conseguem colocar suas vidas em pausa por 4 anos para estudar ciências da computação na universidade”, argumenta Ooi, que afirma que os programas da Kenzie preparam estudantes tão bem quanto universidades em termos de capacitação técnica e sócio-emocional. A edtech também identificou uma demanda por programas vocacionais no Brasil e pretende aproveitar esse filão.

Para alavancar a operação no Brasil, a Kenzie vai trabalhar com empresas de tecnologia que serão os primeiros empregadores dos estudantes após a conclusão dos cursos. Uma delas é o unicórnio curitibano Ebanx, que acabou de fechar um acordo com a startup norte-americana. O grupo inicial de parceiras, também baseadas na capital paranaense, inclui a James Delivery, Bcredi, Social Wave, Banco Bari e CPlug.

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ISAs podem resolver a crise de capacitação digital?

ISAs tem ganhado tração entre universidades nos Estados Unidos como forma de combater a crise no financiamento estudantil: segundo dados do governo, norte-americanos atualmente devem mais de US$ 1,6 trilhão em empréstimos para educação superior.

O modelo também é apontado como forma de resolver as demandas da nova economia: além da Kenzie, o financiamento contingenciado à renda tem sido usado por empresas como a Lambda School e Holberton School, que também prometem equipar pessoas com as habilidades técnicas necessárias para trabalhar na era digital.

O autor Michael Horn, cofundador do Instituto Clayton Christensen de Inovação Disruptiva, definiu o modelo como “fundo de aprendizado renovável”, que empresas poderiam usar para garantir que funcionários se reciclem. Há também o argumento de que instituições que usam o modelo tem como interesse fazer com que seus alunos consigam empregos com bons salários rápido e comecem a pagar a dívida.

Por outro lado, o modelo tem sido alvo de críticas. Como o ISA é um produto de crédito recente, existe a preocupação que estudantes fiquem especialmente vulneráveis quando esse tipo de produto se tornar massificado e oferecido por operadores financeiros além de empresas do setor de educação.

Outra análise futura e não tão otimista do ISA, feita pelo autor Malcolm Harris no “New York Times”, é que, em um cenário onde decisões de crédito são orientadas por algoritmos, acesso futuro a ISAs priorizará indivíduos que passarão suas infâncias elaborando perfis que sejam interessantes para provedores de crédito em potencial. Considerando o atual impasse global sobre vieses algorítmicos, isso pode, segundo Harris, perpetuar problemas estruturais no acesso à educação.

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Redpoint eventures apoia startup de crédito com blockchain Nobli

A startup de crédito Nobli recebeu uma rodada de capital-semente da Redpoint eventures. O investimento, cujo valor não foi divulgado, será usado para aperfeiçoar o produto, que promete taxas de crédito 30% a 50% mais baixas utilizando os ativos financeiros existentes do cliente como garantia. A fintech, que nasceu no laboratório de inovações do Banco Central e foi fundada pelo ex-B3 Regio Martin, analisa o portfólio de investimentos e perfis para conceder o crédito de curto prazo, com base em inteligência artificial e recursos do projeto de blockchain open source R3 Corda para garantir a privacidade das transações.

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Startup de prevenção de fraudes Truora lança operação no Brasil

A verificação de dados pessoais para prevenir fraudes em empresas digitais é o filão que a startup colombiana Truora busca explorar no Brasil. A empresa, que além de sua terra natal já está presente no México, Chile e Peru, monta uma equipe local com pelo menos 20 pessoas focadas em produto e negócios. A operação brasileira é liderada por Bruno Ceccato, que até agosto deste ano era diretor de pequenos negócios na Uber.

A plataforma da Truora, que tem como investidores a Kaszek Ventures e Accel Partners, analisa e valida informações como CPF, RG e outros dados com o apoio de tecnologias como reconhecimento facial e de voz em segundos. Clientes que usam a empresa para agilizar contratações massivas, validar identidade e conceder crédito incluem a Rappi e a Cabify.

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Academia50+ treina idosos para vagas em tecnologia

O aumento de pessoas acima de 50 anos no mercado de trabalho e a necessidade de atualização profissional desse público motivou a consultoria Avanade a originar um programa de capacitação tecnológica para idosos. A iniciativa é desenvolvida em parceria com a plataforma de empregos Maturijobs, que selecionou 20 pessoas acima de 50 anos de idade que trabalhavam no setor de tecnologia e não conseguiram se atualizar ou se manter no mercado.

O programa inclui treinamento em ferramentas tecnológicas como Angular e .NET, bem como metodologias ágeis, design thinking e capacidades sociais como gestão de tempo. Segundo Daniela Cabral, líder de RH da Avanade, possibilidades após a conclusão do curso de 16 dias incluem um retorno ao mercado de trabalho tradicional, o empreendedorismo e até mesmo um trabalho na própria Avanade. “Tem muita gente boa com essa faixa etária no mercado. Eles têm maturidade, experiência de vida, expectativas diferentes dos mais jovens e sabem aguardar o momento certo para as coisas acontecerem”, aponta. Os resultados do curso, que deve se repetir em 2020, saem na semana que vem.

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99jobs realiza hackathon para desenvolvedores negros

A startup de recursos humanos 99jobs reunirá profissionais negros e negras da área de programação e desenvolvimento para o Community Hack nos dias 14 e 15. O hackathon terá um grupo de 32 pessoas imersas no processo intensivo, que acontece na Estação Hack do Facebook, na Avenida Paulista, em São Paulo.

A maratona de desafios também incluirá a participação de mentores, também negros, que compartilharão suas experiências em projetos inclusivos, de empresas como Magazine Luiza, Itaú, Cielo, Raízen, Grupo Boticário e Mercado Livre.

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TikTok faz workshop com usuários promissores em São Paulo

A plataforma de vídeos móveis de formato curto TikTok faz hoje (12) um workshop em São Paulo para músicos independentes e creators crescerem na plataforma. O evento #TikTokRebobina aproxima influenciadores destes usuários promissores e inclui um worskhop específico sobre música, voltado para gravadoras, distribuidoras e artistas independentes. Criadores de conteúdo serão convidados a reproduzir no evento alguma trend ou desafio que repercutiu no aplicativo em 2019 e os três vídeos mais curtidos serão premiados.

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UNESCO e governo brasileiro organizam fórum para discutir IA

A governança, ética e cooperação internacional em torno da inteligência artificial (IA) estão entre os tópicos que serão discutidos por especialistas de países da América Latina e do Caribe no Fórum Regional de IA na América Latina e no Caribe, organizado pela UNESCO e pelo governo brasileiro.

Palestrantes incluem o ministro da ciência e tecnologia, Marcos Pontes; Demi Getschko, diretor-presidente do NIC.br; Fabio Rua, diretor de relações governamentais e assuntos regulatórios da IBM; Priscila Cruz, diretora executiva da Todos Pela Educação; e diversas autoridades internacionais. O evento acontece em São Paulo hoje (12) e amanhã, no Anfiteatro Camargo Guarnieri, da Universidade de São Paulo.

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Startout Brasil seleciona startups para imersão em Nova York

O programa de apoio à inserção de startups brasileiras em ecossistemas de inovação do mundo StartOut Brasil abriu inscrições para a primeira missão de 2020. Entre os dias 19 e 24 de abril, até 20 startups serão levadas para uma imersão no ecossistema de Nova York, nos Estados Unidos.

As empresas selecionadas receberão treinamento de pitch internacional, acesso a workshops com prestadores de serviços e terão a oportunidade de se reunir e se conectar com potenciais parceiros de negócios, possíveis clientes e investidores. As inscrições estarão abertas até 20 de janeiro no site do StartOut Brasil.

 

Angelica Mari é jornalista especializada em inovação há 18 anos, com uma década de experiência em redações no Reino Unido e Estados Unidos. Colabora em inglês e português para publicações incluindo a FORBES (Estados Unidos e Brasil), BBC, The Guardian e outros.

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