Filha diz que morte de general iraniano trará ‘dias mais escuros’ para EUA e Israel

Welinton Brunialti
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Zeinab Soleimani, filha do general iraniano Qassem Soleimani, fala durante funeral do seu pai na Universidade de Teerã, capital do Irã, nesta segunda-feira (6)  — Foto: Escritório de Ali Khamenei/ AFPZeinab Soleimani, filha do general iraniano Qassem Soleimani, fala durante funeral do seu pai na Universidade de Teerã, capital do Irã, nesta segunda-feira (6)  — Foto: Escritório de Ali Khamenei/ AFP

Zeinab Soleimani, filha do general iraniano Qassem Soleimani, fala durante funeral do seu pai na Universidade de Teerã, capital do Irã, nesta segunda-feira (6) — Foto: Escritório de Ali Khamenei/ AFP

A filha do general iraniano Qassem Soleimani afirmou nesta segunda-feira (6) que a morte de seu pai “trará dias mais escuros” para os Estados Unidos e Israel. A declaração foi dada diante de uma multidão em Teerã, capital do Irã, durante o funeral do militar que foi assassinado em um ataque de drones americanos em Bagdá (Iraque).

Em seu discurso diante da multidão que se reuniu perto da Universidade de Teerã, Zeinab Soleimani afirmou que o “plano maligno” do presidente americano, Donald Trump, de causar separação entre o Iraque e o Irã, falhou.

“Trump, seu jogador compulsivo, seu plano maligno de causar separação entre o Iraque e o Irã com seu erro estratégico de assassinar Qasem Soleimani e Abu Mahdi Al-Muhandis [líder da milícia iraquiana] falhou e só causou unidade histórica entre as duas nações e provocou seu ódio eterno pelos Estados Unidos “, disse Zeinab.

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“Hei, louco do Trump, você é o símbolo da estupidez e um brinquedo nas mãos dos sionistas internacionais”, afirmou.

“Este crime hediondo cometido pelos americanos expressa o espírito criminoso que abrange todos os derramamentos de sangue, especialmente na terra da Palestina”, afirmou.

Multidão acompanha cortejo com o corpo do general Qassem Soleimani, em Teerã, no Irã, nesta segunda-feira (6)  — Foto: Atta Kenare / AFPMultidão acompanha cortejo com o corpo do general Qassem Soleimani, em Teerã, no Irã, nesta segunda-feira (6)  — Foto: Atta Kenare / AFP

Multidão acompanha cortejo com o corpo do general Qassem Soleimani, em Teerã, no Irã, nesta segunda-feira (6) — Foto: Atta Kenare / AFP

Líder espiritual

O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, liderou a homenagem ao general que comandava a Força Quds, uma unidade de elite da Guarda Revolucionária Iraniana com atuação no exterior.

Carregando cartazes com o retrato de Soleimani, pessoas se reuniram nos arredores da Universidade da capital iraniana, onde Khamenei faz orações pelo general que comandava a Força Quds, uma unidade de elite da Guarda Revolucionária Iraniana com atuação no exterior.

Cartaz com a foto do líder espiritual do Irã, aiatolá Ali Khamenei, concedendo a maior honra militar do país ao general Qasem Soleimani, morto em ataque americano, é visto durante funeral em Teerã, nesta segunda-feira (6)  — Foto: Atta Kenare / AFPCartaz com a foto do líder espiritual do Irã, aiatolá Ali Khamenei, concedendo a maior honra militar do país ao general Qasem Soleimani, morto em ataque americano, é visto durante funeral em Teerã, nesta segunda-feira (6)  — Foto: Atta Kenare / AFP

Cartaz com a foto do líder espiritual do Irã, aiatolá Ali Khamenei, concedendo a maior honra militar do país ao general Qasem Soleimani, morto em ataque americano, é visto durante funeral em Teerã, nesta segunda-feira (6) — Foto: Atta Kenare / AFP

Homenagens

As homenagens ao general começaram no sábado (4) ainda no Iraque. Depois de sair de Bagdá, o corpo passou pelas cidades de Karbala e Najaf, consideradas sagradas pelos muçulmanos xiitas.

No domingo (5), o corpo seguiu para o Irã e milhares de pessoas participaram do funeral, que começou na cidade de Ahvaz, no sudoeste do Irã. De lá, o corpo de Suleimani seguiu para Mashhad, no nordeste do país. Na terça (7), o cortejo chegará a Kerman, cidade natal do general, onde será realizado o sepultamento.

Ataque e a escalada da tensão

O general Qasem Soleimani e sua comitiva foram alvos de um ataque com drones perto do aeroporto de Bagdá, no Iraque, na quinta-feira (2).

Soleimani, de 62 anos, comandava a Força Quds, uma unidade de elite da Guarda Revolucionária Iraniana com atuação no exterior e era considerado o segundo homem mais poderoso do Irã, abaixo apenas do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei.

Os Estados Unidos, que classificam Quds como uma força terrorista, acusaram Soleimani de estar “ativamente desenvolvendo planos para atacar diplomatas americanos e membros do serviço no Iraque e em toda a região”.

Soleimani era apontado como o cérebro por trás da estratégia militar e geopolítica do país.

Irã prometeu se vingar da morte de Souleimani e, em resposta, Trump disse que atacará 52 alvos iranianos caso os norte-americanos sejam alvo de alguma ação iraniana.

Neste domingo (5), o chefe do Exército iraniano, Abdolrahim Musavi, disse que os EUA não teriam “coragem” para o “conflito”. Já o ex-ministro da Defesa iraniano e atualmente conselheiro militar do país, Hossein Dehghan, afirmou à CNN que “a resposta [ao ataque que matou Soleimani] será com certeza militar e contra alvos militares”.

O Irã anunciou que seu trabalho de enriquecimento de urânio não respeitará mais o acordo nuclear de 2015, que limitava o nível de enriquecimento a 3,6%, e que sua produção não terá mais restrições.

No fim da noite de sábado, no horário local, foguetes atingiram a Zona Verde, área de Bagdá onde ficam embaixada dos EUA e outras representações diplomáticas, e uma base que abriga militares norte-americanos em Balad, a 80 km da capital iraquiana. Ninguém ficou ferido e não se sabe a autoria dos ataques.

Líderes mundiais têm pedido para que Irã e EUA evitem a escalada de violência. Neste domingo, o Papa Francisco pediu “diálogo e comedimento” em meio às tensões no Oriente Médio.

Local onde general iraniano foi morto em Bagdá, no Iraque — Foto: Roberta Jaworski/G1Local onde general iraniano foi morto em Bagdá, no Iraque — Foto: Roberta Jaworski/G1

Local onde general iraniano foi morto em Bagdá, no Iraque — Foto: Roberta Jaworski/G1

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Welinton Brunialti

Jornalista - MTB -0077859/SP
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