Sexta, 23 Abril, 2021
Politica

‘Lula pode até merecer’, ‘impunidade’ e ‘farsa desmontada’: a repercussão no mundo político da anulação de condenações de Lula

Autor: Redação
Data: 8 de março de 2021

Lula em São Bernardo do Campo após sair da prisão
Com decisão do ministro do STF Edson Fachin, Lula se torna elegível novamente e pode disputar eleições

Políticos usaram as redes sociais na tarde desta segunda-feira (08/03) para comentar a anulação das condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Justiça Federal no Paraná relacionadas às investigações da Operação Lava Jato.

A decisão monocrática tomada pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), na prática, restabelece os direitos políticos de Lula. Ou seja, se ele não sofrer condenações em segunda instância novamente, até a eleição de 2022, poderá concorrer à Presidência da República.

A decisão de Fachin, relator da Lava Jato no STF, foi tomada a partir de um recurso da defesa do ex-presidente. O ministro apontou que a 13ª Vara Federal de Curitiba, que era conduzida pelo então juiz federal Sergio Moro, não era o "juiz natural" dos casos.

Após a decisão, os processos do ex-presidente relacionados à Lava Jato deverão ser analisados pela Justiça Federal do Distrito Federal, que avaliará se os atos nos três processos podem ser validados ou reaproveitados.

A Procuradoria Geral da República, porém, pode recorrer da decisão de Fachin, levando o caso para análise da 2ª Turma da Corte, que é composta por Fachin e ministros Cármen Lúcia, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Kassio Nunes Marques.

Na tarde desta segunda, a decisão do ministro do STF causou grande repercussão em todo o país. Nas redes sociais, políticos se manifestaram sobre o assunto.

Abaixo, veja a repercussão do fato no mundo político:

Presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira escreveu que sua "maior dúvida" é se a decisão monocrática (tomada por apenas um ministro) de Fachin "foi para absolver Lula ou Moro". Ele completou: "Lula pode até merecer. Moro, jamais!"

Presidente nacional do PT, a deputada federal Gleisi Hoffmann escreveu em seu Twitter que ainda está aguardando a análise jurídica da decisão de Fachin. Apesar disso, afirmou que a anulação das condenações de Lula reconhece "com cinco anos de atraso que Sergio Moro nunca poderia ter julgado Lula."

Em entrevista ao site O Antagonista, João Amoêdo (Novo), ex-candidato à Presidência da República, classificou como absurdo "que todas as decisões sejam revertidas depois de quase quatro anos".

Ainda à plataforma, Amoêdo afirmou que a decisão de Fachin representa recursos públicos desperdiçados, insegurança jurídica e favorece "basicamente Lula e Bolsonaro".

Em seu perfil no Twitter, ao compartilhar a declaração, Amoêdo comentou novamente sobre a decisão de Fachin. "A impunidade vai avançando", escreveu.

Ex-candidato à prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos criticou as decisões que haviam sido tomadas contra Lula no passado.

"Com 3 anos de atraso, Fachin anula condenações de Lula. A farsa que elegeu Bolsonaro está desmontada", escreveu em seu perfil no Twitter.

E parabenizou o ex-presidente. "Ganha a democracia. Parabéns @LulaOficial!"

Possível candidato às eleições presidenciais de 2022 — após desistir da disputa em 2018 —, o apresentador Luciano Huck também se pronunciou sobre a decisão do STF. "No Brasil, o futuro é duvidoso e o passado é incerto. Na democracia, a Corte Suprema tem a última palavra na Justiça. É respeitar a decisão do STF e refletir com equilíbrio sobre o momento e o que vem pela frente. Mas uma coisa é fato: figurinha repetida não completa álbum".

Aliada do presidente Jair Bolsonaro, a deputada federal Carla Zambelli usou o seu perfil no Twitter para comentar sobre a anulação das condenações contra Lula."Urgente! Fachin anula condenações do cachaceiro relacionadas à Operação Lava Jato. Com a decisão, o ex-presidiário recupera os direitos políticos e volta a ser elegível", escreveu a parlamentar.

FONTE: BBC NEWS BRASIL