Quinta, 25 Fevereiro, 2021
Tecnologia

Máscara da Peste Negra

Autor: Administrador
Data: 11 de fevereiro de 2021

A imagem «Máscara da Peste Negra» foi submetida por Museu da Farmácia (Lisboa), e está disponível no Banco de Imagens da Casa das Ciências.

No século XIV, a Europa conheceu uma das doenças que mais marcou a história da humanidade, afetando milhões de pessoas em todo o continente: a peste negra.

A peste negra numa primeira fase era transmitida através dos ratos e das pulgas infectadas, que propagavam a doença quando entravam em contacto com os seres humanos. Numa segunda fase, passa a ser transmitida por espirros e tosse, o que potenciou a sua capacidade de transmissão, levando esta pandemia a dezenas de milhões de pessoas, ao redor do mundo.

Embora a primeira pandemia da peste negra na Europa date do século XIV, será apenas no século XVII que um médico francês, Charles de Lorme, vai criar um traje para o médico da peste negra.

Esta peça de vestuário caracterizava- se por um manto preto, que cobria todo o corpo de forma a proteger aqueles que o vestissem. A cabeça era coberta com uma máscara negra que tinha a particularidade de ter um bico no qual eram colocadas ervas aromáticas misturadas com palha. Este composto tinha a finalidade de filtrar os odores fétidos da peste negra, evitando a contaminação do médico, segundo a teoria miasmática. (Atualmente a teoria miasmática é considerada obsoleta, ao ser consensual e aceite a teoria microbiana.)

Usado em rituais mágicos nas sociedades primitivas, no teatro grego, nas festividades profanas medievais e nos bailes, “farsas” e teatro popular renascentistas, o conceito de máscara não se alterou muito até ao século XX, altura em que as artes plásticas o apropriam.

De Modigliani e Picasso a Bacon, Paula Rego e Cindy Sherman, a máscara passa a ser sinal de uma crise identitária que não pára de crescer. Trabalhos recentes, como as esculturas-máscara de Ron Mueck, já questionam abertamente a falta de adaptação atual do corpo biológico às necessidades de um mundo progressivamente tecnodependente, mostrando que o corpo desejável é hoje, não um corpo meramente mascarável, mas um corpo infinitamente fluido, reconfigurável e disseminável, um vazio biológico.

Entre a robótica e a genômica, a mecânica e a informática, vão-se abrindo progressivamente as portas para o que, à falta de melhor termo, poderemos chamar de pós-humano.

Manuel Valente Alves
Academia Nacional de Medicina de Portugal

Fonte: Revista Ciência Elementar - Volume 8, número 3

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Descricao: Fundador da Agência Digital Web Absoluta e do Portal Seu Negócio na Internet onde escreve dicas de web empreendedorismo. Escreve também para o Portal Imasters. Trabalha com internet desde 2008. Especialista em SEO e Wordpress

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