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Líderes “vitalícios” da África usam eleições, violência e alianças externas para se manter no poder

Organizações de direitos humanos denunciam repressão violenta à oposição, prisões arbitrárias

De Uganda a Camarões, passando pela República do Congo, uma geração de líderes africanos transformou eleições em instrumentos de permanência no poder.

Presidentes como Yoweri Museveni, Paul Biya e Denis Sassou Nguesso governam há décadas e, segundo analistas, aperfeiçoaram métodos que combinam repressão interna, fragmentação política e apoio estrangeiro para sustentar regimes cada vez mais personalistas. As informações são da Al Jazeera.

Em Uganda, Yoweri Museveni acaba de conquistar seu sétimo mandato presidencial. No poder desde 1986, ele governa um país jovem, onde cerca de 70% da população tem menos de 35 anos, mas já conhece apenas um presidente ao longo da vida.

Embora o pleito tenha ocorrido formalmente dentro do calendário eleitoral, organizações de direitos humanos denunciam repressão violenta à oposição, prisões arbitrárias e tortura de apoiadores do músico e opositor Bobi Win

O líder camaronês Paul Biya, ao lado da primeira-dama do país africano, Chantal Biya, em foto de 2022 (Foto: WikiCommons)

Especialistas afirmam que Museveni utiliza a violência como mecanismo de controle político e permite práticas de corrupção entre aliados para, posteriormente, usá-las como instrumento de chantagem e lealdade forçada. A nomeação de seu filho, Muhoozi Kainerugaba, como chefe do Exército intensificou suspeitas de uma sucessão dinástica em preparação.

Situação semelhante ocorre em Camarões, onde Paul Biya, de 92 anos, garantiu em outubro seu oitavo mandato presidencial.

No poder desde 1982, Biya é frequentemente chamado de “presidente ausente”, passando longos períodos fora do país. Ainda assim, mantém controle político por meio de um sistema descrito por opositores como uma “autocracia eleitoral”, na qual o processo de votação existe, mas é rigidamente controlado pelo Estado.

Analistas destacam que Biya explora divisões étnicas para enfraquecer a oposição, formando coalizões estratégicas que lhe asseguram maioria simples.

A repressão seletiva, combinada com uma aparência limitada de liberdade de expressão, gera autocensura e reduz a mobilização popular.

Na República do Congo, Denis Sassou Nguesso, de 81 anos, prepara-se para disputar mais um mandato em 2026. No poder por cerca de 40 anos, ele retornou à presidência após uma guerra civil nos anos 1990 e alterou a Constituição para eliminar limites de mandato. Apesar da riqueza petrolífera do país, o Congo-Brazzaville enfrenta subdesenvolvimento crônico e denúncias de corrupção sistêmica.

Segundo ativistas, Nguesso se sustenta por meio de alianças internacionais estratégicas. Após perder influência junto à França, o presidente congolês se aproximou da China, que oferece investimentos, empréstimos e respaldo diplomático em troca de acordos energéticos e apoio político em fóruns internacionais.

Para especialistas em governança africana, o caso desses líderes revela um paradoxo: eleições continuam ocorrendo, mas foram esvaziadas de seu papel democrático.

Instituições eleitorais fragilizadas, controle da mídia, repressão seletiva e apoio externo permitem que regimes longevos se legitimem formalmente, mesmo diante de denúncias recorrentes de fraude e autoritarismo.

Apesar do cenário adverso, analistas alertam que abandonar as eleições não é uma opção. Para eles, a resistência passa pela mobilização da sociedade civil, pressão internacional e fortalecimento de mecanismos legais que devolvam sentido ao voto popular.

FONTE:  A  REFERÊNCIA

Redação Portugal

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