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A influência de Antonio Gramsci na postura esquerdista da imprensa brasileira

Da pedagogia crítica ao jornalismo militante

Como a hegemonia cultural se tornou método político e moldou o jornalismo no Brasil

A presença majoritária de uma sensibilidade progressista — e frequentemente militante — na imprensa brasileira não é um fenômeno espontâneo. Ela deriva de um processo histórico de formação intelectual que encontrou em Antonio Gramsci um de seus principais referenciais. A apropriação seletiva de suas ideias pela esquerda brasileira transformou o jornalismo em um espaço de pedagogia política, muitas vezes distante da neutralidade que a profissão afirma defender

O documento pesquisado* afirma que, para Gramsci, a supremacia de uma classe social não se reduz a dominação, mas também é hegemonia”, exercida por meio de instituições culturais e educativas.

Essa noção, originalmente aplicada à escola, foi reinterpretada no Brasil como justificativa para transformar a comunicação em instrumento de disputa ideológica.

Da pedagogia crítica ao jornalismo militante

O texto-base descreve a escola como um dos principais fatores de hegemonia, capaz de moldar valores e comportamentos. “A escola é um dos fatores de hegemonia de uma classe social sobre as outras.”

A imprensa brasileira, especialmente após os anos 1980, absorveu essa lógica. A formação universitária em comunicação — fortemente influenciada por pedagogias críticas, marxistas e freireanas — passou a enxergar o jornalista não como observador, mas como agente de transformação social.

Essa visão, inspirada na figura gramsciana do “intelectual orgânico”, produziu uma geração de profissionais que:

tratam a notícia como instrumento de conscientização, confundem reportagem com ativismo, assumem causas políticas como missão profissional, e veem a neutralidade como “cumplicidade com a opressão”.

O resultado é uma imprensa que, mesmo inserida em empresas privadas, opera culturalmente como extensão da militância progressista.

A imprensa como aparelho privado de hegemonia

O texto lembra que, no Estado Integral, sociedade civil e sociedade política se entrelaçam. Gramsci define o Estado ampliado como “hegemonia blindada por coerção”.

No Brasil, a imprensa tornou-se um dos principais aparelhos privados dessa hegemonia progressista. Não por imposição estatal, mas por convergência ideológica entre universidades, redações e movimentos sociais

Essa hegemonia se manifesta em:

  • enquadramentos narrativos que favorecem pautas identitárias,
  • cobertura seletiva de temas econômicos,
  • criminalização simbólica de posições conservadoras,
  • e normalização de discursos alinhados à esquerda.

O paradoxo estrutural: empresas capitalistas, redações anticapitalistas

O texto afirma que a escola capitalista é atravessada por contradições: transmite ideologia dominante, mas também pode formar consciência crítica. “Pode-se praticar uma pedagogia crítica […] mas não se pode extinguir o Estado burguês pela simples evolução da consciência.”

A imprensa brasileira vive o mesmo paradoxo:

  • empresas dependentes de publicidade,
  • mas redações formadas por profissionais que rejeitam o mercado,
  • defendem intervenção estatal,
  • e tratam o capitalismo como problema moral.

Essa contradição explica por que veículos privados frequentemente produzem conteúdo hostil ao próprio sistema econômico que os sustenta.

Por que a imprensa brasileira se inclinou à esquerda? 

  1. Formação universitária ideologizada

O texto mostra que a escola é vista como espaço de hegemonia. No Brasil, os cursos de comunicação adotaram essa lógica, transformando a formação jornalística em extensão da militância acadêmica

  1. A figura do jornalista como “intelectual orgânico”

Gramsci defendia que cada classe produz seus intelectuais. No Brasil, muitos jornalistas se veem como representantes simbólicos dos “oprimidos”, mesmo pertencendo às elites culturais.

  1. A crença na “guerra de posições”

Embora o texto critique a redução de Gramsci à disputa cultural, essa leitura simplificada se tornou dominante na esquerda brasileira: ocupar a mídia seria parte da luta política.

  1. A imprensa como tutora moral da sociedade

Após a ditadura, a imprensa assumiu para si a missão de “educar para a democracia”, frequentemente confundindo jornalismo com doutrinação.

O que a direita independente observa — e critica

A partir dessa leitura, a imprensa de direita independente identifica três problemas centrais:

  1. A perda da pluralidade

A hegemonia progressista nas redações cria um ambiente homogêneo, onde divergências são tratadas como desvios morais.

  1. A confusão entre jornalismo e ativismo

A lógica gramsciana transformou o jornalista em militante, reduzindo a objetividade e ampliando o viés ideológico.

  1. A instrumentalização da notícia

A imprensa passou a operar como ferramenta de engenharia social, não como mediadora imparcial dos fatos.

Reflexão Final: Gramsci não explica tudo — mas explica muito

O documento consultado afirma que Gramsci não via a escola como “lugar em disputa”, mas como parte de um projeto revolucionário mais amplo. “Pensou a educação […] como parte de uma sociedade que precisa ser despojada […] em vista de uma ‘nova ordem’.”

A imprensa brasileira, ao adotar uma postura majoritariamente progressista, não faz mais do que reproduzir essa lógica: atuar como instrumento de transformação social, não como observadora neutra.

A direita independente, ao analisar esse fenômeno, não o trata como conspiração, mas como resultado histórico de uma hegemonia intelectual construída ao longo de décadas — uma hegemonia que moldou universidades, redações e a própria cultura política do país.

*https://www.esquerdadiario.com.br/Antonio-Gramsci-e-uma-educacao-em-uma-perspectiva-revolucionaria – Autores; Federico Puy & Virginia Pescarmona 

FONTE: https://www.esquerdadiario.com.br/

Redação Portugal

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